Qual é a melhor primeira papinha?

 Image: http://www.mysouthernhealth.com/infant-feeding-tips/

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QUAL É A MELHOR PRIMEIRA PAPINHA PARA O BEBÊ?

Muitas famílias entram em parafusos quando o assunto é a primeira papinha do bebê. Afinal, será que existe alguma diferença entre as papinhas?  Será que posso introduzir vegetais antes de frutas ou até mesmo oferecer frango antes de qualquer outro alimento? 


A verdade é que a primeira papinha varia de acordo com a cultura em que o bebê vive.

Por exemplo, na França, os bebês chegam a consumir um tipo de vegetal novo de três a quatro dias. Isso significa que, no primeiro mês consumindo alimentos sólidos, bebês franceses são expostos a mais de seis vegetais novos.  

Os alimentos são apresentados separados para que o paladar seja treinado a diferenciar sabores e texturas. Por lá, papinhas são oferecidas por períodos muito curtos e os pais procuram oferecer o que eles comem para os pequenos o mais rápido possível.


No entanto, nos Estados Unidos, a Academia Americana de Pediatria pede para pais evitarem a todo custo oferecer comida. Essa recomendação pode estar relacionada a dieta com grande base em alimentos processados e alto teor de sódio e açúcar.

Bebês iniciam a introdução alimentar com sabores similares ao do leite. Grande parte das famílias oferecem como primeira comida um tipo de mingau de arroz enriquecido com ferro. Esse alimento não contém açúcar e tem uma aceitação muito boa.

Gradualmente, os pais introduzem vegetais, carnes e, finalmente, frutas. Acredita-se que introduzir sabores adocicados como primeira comida fazem com que o bebê tenha dificuldade de aceitar alimentos com sabores mais complexos, como o dos vegetais.


No Brasil, a primeira papinha normalmente é fruta. A papa salgada é introduzida logo em seguida com inúmeros ingredientes misturados, pois acredita-se que a melhor forma do bebê receber todos os nutrientes necessários é colocando o máximo de alimentos dentro de uma panela. Em casos extremos, o bebê é desmamado da noite para o dia e recebe todas as refeições sólidas assim que a mãe retorna ao trabalho. 


As dificuldades alimentares também são culturais.

Nos Estados Unidos a cultura fast-food, dos lanchinhos, é muito forte e eventualmente leva muitas crianças a "desaprender" bons hábitos alimentares instituídos nos primeiros dois anos, por estabelecer um relacionamento onde o alimento é a solução para tudo. As crianças passam o dia todo beliscando além das grandes refeições do dia.

Já no Brasil, o pesadelo da hora da refeição está fortemente relacionado à "obrigação" de se alimentar, o que eventualmente, leva muitas crianças a passarem boa parte da infância comendo muito pouco.

Em contrapartida, os bebês franceses são os únicos que "comem de tudo". Talvez pela cultura ser fortemente voltada a uma boa alimentação, mas provavelmente, se deve à forma com que essa transição é abordada: totalmente sem dúvidas.


Com toda essa informação em mente, o que aprendemos sobre as melhores primeiras papinhas? 

1. Vegetais: Tanto na França quanto nos Estados Unidos recomenda-se que os vegetais sejam uma das primeiras papinhas a serem apresentadas para o bebê. Ao oferecermos alimentos de difícil aceitação primeiro, aumentamos as chances dos pequenos de se interessarem por novos sabores e treinamos o paladar da criança a longo prazo. Outro fator importantíssimo é que a absorção de ferro diminui após a introdução de alimentos sólidos. Vegetais, por sua vez, são mais ricos em ferro do que frutas, o que ajuda muito, pois o organismo se torna carente deste mineral.

2. Alimentos com sabores neutros: Outro fator importante é a transição da textura líquida para sólida. Alguns bebês podem ter aversão a nova textura ou sabores, por isso, optar por alimentos com sabores mais leves é sempre uma boa ideia. Alguns exemplos de alimentos de fácil aceitação são: batata, couve-flor e abobrinha. Lembrando que o período em que o bebê irá consumir SOMENTE estes alimentos será curto, pois o objetivo é apresentar a nova textura e, gradualmente, introduzir novos sabores às refeições. A regra para apresentar uma nova comida para o bebê é a cada três dias.

3. Diversidade de sabores e texturas: Estudos indicam que, quando o bebê é exposto a uma grande variedade de alimentos até o segundo ano, maiores serão as chances de eles consumirem "de tudo" durante a infância, adolescência e vida adulta. Por isso, introduzir alimentos novos separadamente é essencial para treinar o paladar da criança. Papas onde todos os ingredientes são misturados acabam dificultando este processo, pois tudo fica com o mesmo gosto ou textura.


Então agora fica a pergunta: Existe uma melhor primeira papinha ou devemos prestar mais atenção à forma que introduzimos os alimentos?

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