Tenho medo do meu filho me odiar.

Meu filho me odeia?

Quem nunca sentiu aquele frio na barriga quando teve que dar uma bronca no filho? Ou que, por motivos de exaustão, demorou um pouco mais para atender ao pequeno na noite? E após estas situações se sentiu culpado e com medo de ser odiado?

Acredito que todos, não é verdade?


Mas, quando essa culpa ou medo deixam de ser saudáveis e começam a dificultar nossa habilidade de sermos bons cuidadores?


Quais são os limites da culpa e do medo e como eles podem "congelar" o responsável e tornar o processo de "cuidar" em uma verdadeira batalha emocional?

No post de hoje, irei propor um processo de Auto-Coaching*.

*Para vocês que não conhecem essa técnica, ela se utiliza de perguntas objetivas e altamente poderosas, que ajudam a identificar e resignificar limitações, experiências ou sentimentos que podem estar te impedindo de avançar em algum aspecto da sua vida. Neste caso o aspecto em questão seria a criação e cuidados infantis.


Quando agimos com comparações e julgamentos, acabamos inibindo nossa habilidade de construir um relacionamento verdadeiramente profundo e conectado com as necessidades da criança, pois passamos muito tempo sofrendo pelo passado ou por antecedência.

Por isso, frequentemente, precisamos revisitar nossos propósitos, objetivos e comportamentos.

Assim nos mantendo responsáveis (ao em vez de culpados) pelos desafios enfrentados durante a criação.

Então vamos ao exercício:


As regras do questionário são simples:

1. Responda as perguntas de forma verdadeira, ponderada e específica;

2. As respostas não tem certo e errado! 

3. O objetivo do questionário é trazer à tona questões que necessitam ser solucionadas por você, para você! Ele serve para relembrar que nossas angústias precisam de atenção, tanto quanto os cuidados de nossas crianças e esta separação é um dos passos mais importantes quando queremos ser bons cuidadores;

4. Se alguma destas perguntas resultarem em sentimentos intenso talvez esteja na hora de procurar ajuda de um profissional da saúde ou conversar com alguém próximo que não irá te julgar.


Então vamos lá:

1. Quais situações você sente que afloram o medo de ser odiado pelo seu filho?

2. Quais experiências pessoais você acredita que te levaram a ter esse medo?

3. De quem são estas experiências?

4. Se estas experiências são suas, o que te leva a acreditar que o caso será o mesmo com o seu filho?

5. Se o seu filho faz parte da experiência que te deixou com este sentimento negativo, o que é que você precisa fazer para perdoar (a criança ou a você mesmo) para seguir em frente?

6. De que maneira você acredita que essas experiências te impedem de ser um bom cuidador?

7. Qual é o nome do sentimento que você usaria para descrever o que você sente, quando se dá conta, de que o seu medo está te impedindo de ser um bom cuidador?

8. Qual é a diferença entre culpa e responsabilidade? Qual dos dois é mais fácil?

9. Este sentimento pertence a quem?

10. Se essa experiência é tão poderosa, mesmo meses ou anos após ela ter acontecido, o que está faltando para você buscar ajuda para resignificar essa questão?

11. Como a sua comparação do atual momento e do que já passou podem afetar o relacionamento que está sendo construído com seus filhos hoje?

12. Qual é a responsabilidade dos teus filhos nos sentimentos que não os pertencem?

13. Qual motivo pode estar te levando a acreditar que essa questão não pode ser solucionada?

14. Se você já buscou ajuda e está trabalhando para melhorar, não seria este o momento para não se cobrar tanto?

15. O que você pode fazer hoje para amenizar o sentimento de medo?

16. De 0 a 5, qual é o teu comprometimento para resolver a causa desse sentimento?

17. Se você ainda não está no 5, faça uma lista do que está faltando para chegar lá?

18. Das razões que você listou para não solucionar essa dificuldade, qual delas pode se tornar o seu primeiro passo para alcançar seu objetivo?


Espero que este questionário tenha te auxiliado a identificar questões que necessitam de atenção imediata.

Criar seres humanos é uma responsabilidade imensa e muitas vezes esta pressão pode desviar nosso olhar de nós mesmos. Porém, quanto mais distante você se encontra dos teus sentimentos, mais distante estará de exercer o seu papel de cuidar.


Se você ou alguém que você conhece está com dificuldades busque ajuda!

Afinal: "É necessário uma aldeia inteira para educar uma criança."

Curtiu? Compartilhe!