5 Passos para criar um ambiente no qual sentimentos são bem-vindos.

ambiente onde o sentimento é bem vindo

Uma das frases que eu mais uso em meus atendimentos é: "Nós não somos responsáveis pela forma que nossas crianças se comportam e sim pela forma que reagimos em relação a seus comportamentos!"

Em outras palavras, temos controle somente sobre:

  • Nós e nossas reações; 
  • E sobre o cultivo de um ambiente que propicia o desenvolvimento adequado.

Quando temos sucesso em gerenciar as situações acima - possibilitamos que a criança tenha uma leitura INDIvidual* sobre suas experiências com seus sentimentos e com seu próprio corpo!

*Sem a imposição dos sentimento, traumas, medos, soluções do cuidador.


Neste post, iremos falar sobre os 5 passos para criar um ambiente que cultiva sentimentos de forma natural e positiva. Vamos lá? :)

  1. Atividades livres - De acordo com Jean Piaget, até o segundo ano de vida a criança se encontra no estágio sensório motor. Isso significa que sua capacidade de compreensão sobre o mundo ao seu redor está diretamente relacionada a sua habilidade de explorar livremente o ambiente que habita e os objetos ao seu redor. Criando um espaço seguro onde a criança tem a possibilidade de explorar livremente seu corpo tornará este passo possível, pois nossa interferência excessiva pode interferir no autoconhecimento da criança com ela mesma;
     
  2. Respeitar diversas formas de expressão - É muito comum tentarmos "pacificar" situações como choros, birras e frustrações. Porém, o que isso comunica a longo prazo é que somos incapazes de ouvir abertamente as angústias e necessidades da criança. Quando uma criança está em crise e usamos distrações para evitar a verbalização acidentalmente invalidamos seus sentimentos;
     
  3. Observar - Uma das observações mais comuns que faço em meus atendimentos é que quanto mais reativo os pais maior o tempo de choro e inquietação do bebê e da criança. Isso ocorre pois uma parte fundamental da comunicação entre cuidador e criança - a  observação - está sendo completamente ignorada. O corpo do bebê e da criança falam mais do que o choro. Por isso, é essencial respirar fundo e observar antes de agir. A intensidade dos movimentos, os gestos, o olhar, todos comunicam para nós o que pode estar se passando. 
     
  4. Perguntar - É natural chegarmos com as respostas prontas sobre como nossos pequenos devem solucionar seus problemas. Por exemplo: "Ah filho, é só encaixar aqui! Deu, deu! Não precisa fazer fiasco." ou "Poxa filha! Você tem que dividir caso contrário ninguém vai gostar de ti!" Porém esta abordagem desmerece a capacidade da criança de solucionar problemas básicos de convivência e mais uma vez impossibilita a criança de chegar a conclusões sobre a interação. Neste momento minha sugestão é usar perguntas ao invés de soluções. Com as perguntas, estamos devolvendo a responsabilidade para a criança e assim dando um voto de confiança em sua capacidade e habilidades. Por exemplo: "Nossa filho! Não encaixou. Que chato. Você quer que eu te ajude ou prefere tentar sozinho?" ou "Filha, pelo jeito você não está pronta para dividir. Você prefere que eu guarde o brinquedo ou gostaria de continuar brincando e tentar dividir novamente."
     
  5. Respeitar as decisões da criança - Uma vez que você usou uma pergunta e deu a oportunidade de escolha é importante respeitar a decisão da criança! Somente ela conhece suas limitações. Esse passo é essencial para o criar um ambiente que respeita os sentimentos da criança. Isso requer muita flexibilidade e tolerância da nossa parte e sem dúvidas é o caminho menos percorrido, porém os resultados futuros são incríveis! 

Estas foram as dicas de hoje para criar um ambiente que acolhe sentimentos e auxilia no desenvolvimento de crianças seguras! 

Espero que você tenha achado útil :)

Ah, e não deixe de me contar a sua experiência nesse tema. 

Têm dicas sobre como você ajuda seus pequenos a expressarem sentimentos? Conte para nós!