A epidemia das telas.

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Inicio este post dizendo que não sou contra eletrônicos (por isso segurem as ameaças! rs rs)

Ao contrário, acredito que eles fazem parte da nossa sociedade e que como tudo na vida é importante encontrar o equilíbrio para que o uso não comprometa o desenvolvimento infantil.

Ultimamente tenho lidado com casos seríssimos de comportamento que tem como origem o uso excessivo de TVs, tablets e celulares. Em alguns casos eles são reflexos da programação inadequada para idade enquanto em outros casos observa-se que o problema é da falta de atenção, interação e colaboração da criança com a família.


Agora se prepare! pois a verdade sobre este assunto dói e vem com um preço bem caro: o desenvolvimento emocional inadequado do indivíduo.


De acordo com um estudo publicado na  The Journal of the American Medical Association Paediatrics pela Dra. Trina Hinkley da Universidade Deakin, mesmo programas e jogos educativos podem ser maléficos para a criança.

Foram estudadas 3 mil crianças entre a idade de 2 à 6 anos. Quando questionadas sobre os 6 indicadores de saúde mental, incluindo problemas emocionais e de interação com outras pessoas, autoestima, atuação dentro da família e sociedade, os resultados foram que para cada hora de exposição a estes aparelhos maior o risco de problemas emocionais e da atuação do indivíduo no núcleo familiar e social.

O uso excessivo das telas à custa de interações humanas podem afetar habilidades sociais, comunicativas e no desenvolvimento de vínculo entre a família e a criança.
— Dr. Sameer Malhotra

Enfatizou Dr. Sameer Malhotra diretor de Saúde Mental e Ciência Comportamental do Hospital Max Super Speciality da Nova Delhi.

Recentemente a Academia Americana de Pediatria alterou as recomendações que sugeriam evitar o uso de qualquer eletrônico até os 2 anos de idade. Porém novos estudos sugerem que o uso seja desencorajado para crianças abaixo de 18 meses com excessão de chamadas com vídeo familiares que incentivem o contato com pessoas e interações faciais (mesmo isso ainda não tendo comprovação de que seja benéfico).

No caso de conteúdo educativo existe pouca validação de que bebês entre as idades de 15 meses à 2 anos tenham qualquer benefício na aprendizagem de linguagem a não ser que um cuidador esteja presente interagindo com a criança. O mesmo aplica para o uso de Aplicativos de celular ou Tablet.

Somente entre os 2 e 5 anos é que a criança inicia a se beneficiar de forma educativa de conteúdos "educativos" pois até isso é questionado, considerando que somente duas entidades (PBS e Sesame Workshops) produzem conteúdos testados e embasados.


Então como estabelecer um bom relacionamento com as telas?


Depois desse balde de água fria ofereço soluções :)

  1. Limite o uso de eletrônicos - óbvio, não é? Porém é importante ser específico quando determinando o horário, a duração e as situações pela qual você abrirá esta excessão! Fim do dia, você fazendo o jantar e as crianças tocando o horror? Esse seria um exemplo do momento perfeito. Porém, ligue a TV já informando as regras de uso. Viagem de 7 horas de carro? Não preciso nem dizer!
  2. Use o aparelho eletrônico junto com o seu filho - inúmeros estudos apontaram que quando os cuidadores participam do uso os benefícios aumentam. Ou seja, proponha uma noite de filme com seu pequeno ou baixe um aplicativo com histórias e leia junto com eles. Participe da aprendizagem e aproveite mais este momento com seu pequenino.
  3. Filtre o tipo de conteúdo que você irá permitir que a criança assista - em um próximo post irei falar sobre a importância de gerenciar o acesso a conteúdo que não é recomendado para a idade do seu filho. Esse é um dos cuidados mais importantes quando decidindo o que seus filhos terão acesso.

Espero ter ajudado você a promover um relacionamento mais saudável com o uso de eletrônicos.

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