O mito da hiperatividade: Entendendo crianças ativas!

Mitos da Hiperatividade da Crianças

Oi, queridos! :)

No mínimo duas vezes por dia atendo bebês, toddlers ou crianças que são descritas por seus pais, familiares, professores ou cuidadores como hiperativas. Na maioria das vezes, esse diagnóstico acaba sendo dado livremente para pequenos que estão em fase de desenvolvimento  sem investigação alguma, como uma simples forma de descrever um temperamento.
 
O uso deste rótulo, contudo, é extremamente perigoso, pois ele pode resultar na utilização de medicação desnecessária do indivíduo em crescimento, o que acaba resultando em graves reflexos que serão vivenciados por toda a sua vida.
 
Por isso, o objetivo do post de hoje é explorar um pouco mais alguns fatos sobre os pequenos que possuem temperamento enérgico que muitas vezes é confundido com a hiperatividade!


Vamos aos fatos:

Somente nos Estados Unidos, cerca de 1 milhão de crianças podem ter sido diagnosticadas incorretamente com déficit de atenção e hiperatividade. Para boa parte delas, o diagnóstico ocorre ainda no jardim da infância. Mas não pense que aqui no Brasil é muito diferente dessa realidade, viu?

Infelizmente não estamos muito atrás destes números e para piorar, nos últimos 10 anos o uso de Ritalina (um dos medicamentos recomendados para tratar hiperatividade) aumentou cerca de 800%!

Considerando que grande parte do uso desse medicamento é feito por crianças e adolescentes, este número é um sinal de que precisamos imediatamente investigar se não estamos interpretando comportamentos normais como problemas.


Então, vamos as maiores causas pelas quais bebês, toddlers e crianças podem estar recebendo um diagnóstico incorreto:

1. Exaustão

Nossas crianças e nós mesmos estamos passando por um período crítico no qual a exaustão vem influenciando gravemente nossa habilidade de permitir que nosso corpo se recomponha. Estudos indicam que os brasileiros dormem cerca de 6 horas e 10 minutos por noite, ou seja, quase duas horas abaixo da recomendação para um adulto. Considerando que bebês, toddlers, crianças e adolescência em desenvolvimento necessitam de 10 a 12 horas de sono por noite, nossos filhos estão dormindo 4 a 6 horas a menos do que o recomendado! Isto é preocupante considerando que a falta de sono pode gerar comportamentos similares aos sintomas relacionados ao déficit de atenção e hiperatividade. Alguns deles são: impaciência, irritabilidade, inquietação, agressividade, falta de foco, entre outros.

2. Alimentação

Se mal temos tempo para dormir, imagine para comer! O consumo excessivo de alimentos processados e ricos em açúcares podem estar relacionados a problemas no comportamento infantil. Isso porque a alimentação é responsável por energizar nosso corpo. Quando consumimos muito açúcar refinado é natural ter oscilações de humor severas, o que muitas vezes pode ser confundido com um distúrbio de humor.

3. Falta de atividades não estruturadas

A maioria das famílias que convivem com uma criança com temperamento enérgico busca inscrever seus pequenos em TODAS as atividades físicas imagináveis na tentativa de contornar o excesso de energia. Porém se deparam com a triste realidade de que muitas destas crianças detestam cumprir com as instruções do professor, choram e imploram para não irem mais nas atividades. Isso acontece pois essas crianças necessitam de espaço para explorar suas habilidades físicas. Elas precisam correr livremente, subir, descer, pular, gritar, rolar, para conseguirem aliviar tensões e ansiedades. Infelizmente espaços ao ar livre estão em falta e mais e mais estamos confinados a ambientes pequenos e fechados. Como reflexo, famílias que raramente passam tempo ao ar livre com seus filhos relatam maiores momentos de tensão e níveis de estresse do que aquelas que vão a uma praça ou parque no mínimo duas vezes por semana.

4. Conveniência

Esse é o momento que vocês vão ficar bravos comigo. Só que alguém precisa trazer à tona esta realidade. Infelizmente, é conveniente manter a criança passiva através do uso medicação. Ela reage menos, exige menos, grita menos, enfim, se torna uma criança ?boazinha?. Mas esta não é a realidade! Crianças são crianças. Imaturas, sapecas, ativas, impacientes, desafiadoras, e muito mais do que isso. Não estou querendo dizer que NENHUMA criança precise de medicação ou que a hiperatividade é um complô das empresas farmacêuticas. Não! Só estou convidando você, pai, mãe, avô, avó, professores, babás, a olharem com mais atenção para quais necessidades possivelmente estão sendo desmerecidas. Nossas exigências e expectativas estão matando a infância e isso é algo assustador para o futuro destas pessoas que possivelmente dependerão de medicações para o resto de suas vidas considerando que o uso incorreto pode ter reflexos terríveis para o cérebro em desenvolvimento.
 
Precisamos agir de forma consciente e aprender a identificar as verdadeiras necessidades da criança ao em vez de rapidamente rotular o que não compreendemos.
 
Revise frequentemente a rotina da família para comportar as necessidades básicas da criança e consulte com especialistas que possam ajudar com a organização destas necessidades!


E você? Quais atividades curte fazer com seus pequenos? :)