Precisamos falar sobre as birras!

Birras de um bebe

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Quem nunca se sentiu sem chão ao ter que contornar uma crise de birra no meio do supermercado?

Pessoas sem noção passando e dizendo:

"Nossa que absurdo! Que criança sem limite!" ou "Credo, meu filho nunca fará isso!".

E você com cara de taxo se sentindo como o pior ser humano do mundo! 

Se ao menos essas pessoas soubessem que todos os pais e cuidadores - independente da educações incrível que elas dão ou pretendem dar para seus filhos, também serão vítimas de situações que exigirão muito jogo de cintura e sabedoria - Como o mundo seria melhor, não é mesmo?

Quase como um marco na evolução parental ou como cuidador;  todos que lidam diariamente com crianças irão passar por isso especialmente nos primeiros três anos de vida da criança.

Não me interpretem mal, isso não é uma praga.

E sim a realidade nua e crua, sobre o desenvolvimento infantil e o fato de que as birras vão além das nossas competências - pois elas dependem inteiramente do amadurecimento do Sistema Neurológico de cada indivíduo. 


Por isso, seja você um pai de quinta viagem ou uma especialista em comportamento infantil, quem determina onde, quando e porque as birras irão acontecer - é o cérebro - E ele necessita destas experiências e interações para auxiliar no avanço de habilidades fundamentais para o controle de impulsos, instintos e emoções pela própria criança.


Você percebeu que eu disse "controle pela própria criança" e não "controle pela forma que você disciplina"?

Sim! Meus caros, as birras não acontecem por você ser um péssimo cuidador e não saber disciplinar.

Elas iniciam por questões que fogem do nosso controle.

Agora se elas estão sendo incentivadas pela sua abordagem ou não será um assunto que abordaremos em posts futuros! ;)


Dos 12 aos 36 meses nossos pequenos passam por um período conhecido como a Adolescência da Infância ou Terrible Two's (para você que é bilingue ou acha mais chic chamar desta maneira).

Durante este período, o cérebro está crescendo de em uma velocidade surpreendente e é esperado que durante estes 3 curtos - e ao mesmo tempo longos - anos, nossos pequenos tenham dificuldades com situações como:

  • Gerenciar situações que implicam um "não";
  • Frustrações extremas durante as transições entre uma atividade e outra;
  • Solucionar problemas simples (ou melhor que nós julgamos simples);
  • Racionalizar experiências e situações novas;
  • Controlar seus impulsos físicos e emocionais.

Em outras palavras: tornar grande parte das atividades diárias em batalhas intermináveis e desgastantes.


Mas calma! Por mais que teremos que enfrentar as temidas birras a boa notícia é que quando entendemos o que está se passando fica muito mais fácil gerências nossos comportamentos e expectativas.


Por isso considere o seguinte fato - existem dois tipos de birras:

  1. Birra Emocional - é causada pela incapacidade da criança de digerir e gerenciar suas emoções. Este tipo de birra é acompanhada por demonstrações intensas de sentimentos como tristeza, raiva ou sofrimento. Percebemos que crianças durante este tipo de crise fica muito sentida com a experiência e precisam primeiramente de suporte. Por isso, é importante buscar se conectar com o sentimento que a criança está demonstrando de forma empática sem sentir que você precisa ceder seu posicionamento. Ceder, uma vez que você já se posicionou, confunde a criança pois não existe coerência entre você "fazer ela sofrer" e depois "ceder". Concorde com ela, admitindo o esforço necessário para entender o porque ela ouviu um não e adentre o sentimento sem redirecionar o foco para outra coisa. Depois da conexão narre a situação e seus resultados exatamente como tudo aconteceu para explicar de forma lógica o que levou a crise. Isso ajudará a criança a perceber que você está assumindo uma postura firme porém afetuosa e permitir uma visão diferente sobre uma forma mais lógica de controlar seus sentimentos;
  2. Birra Lógica - é causada por rigidez nas expectativas da criança. Isso significa que ela não consegue aceitar que as coisas ocorreram de maneira diferente do que ela gostaria. Para crianças maiores esta crise também pode ser o resultado de atitudes "premeditadas" que acabaram não saindo como imaginado. Este tipo de crise exige um posicionamento firme e afetuoso onde os limites são bem definidos. Além disso é importante que a criança enxergue que seu comportamento afeta não só ela como também todos ao seu redor (assim trabalhando seus sentimentos e sua empatia pelos outros). Para lidar com estas crises evite julgamentos, comparações e negociações pois isso só intensifica e aumenta este tipo de crise. Em vez disso, narre a situação, seu posicionamento e seus resultados exatamente como tudo aconteceu para explicar de forma lógica o que levou a crise. Depois disso tente se conectar com o sentimento que a criança está exibindo usando frases que dão nome a seus sentimentos (ex.: "percebi que você ficou muito frustrado por eu ter mudado os planos de ir ao parque."). Agora trabalhe o raciocínio fazendo perguntas que estimulem a chegada de conclusões (ex.: "como você acha que eu me senti quando começou a chover e eu percebi que não poderíamos ir ao parque?", "o que você acha que podemos fazer em casa que pode ser tão divertido quanto ir ao parque?"). Limites nos tornam mais ciente de nossas emoções e aperfeiçoa a empatia. Por isso ajude seu pequeno a entender suas emoções para fazer sentido das experiências que eles não podem controlar.

Quem mais está se sentindo pronto para lidar com esse momento cheio de desafios e conquistas? \o

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Vamos ajude nossos amigos e familiares a entenderem melhor seus filhos.

Quem sabe assim iremos compreender melhor uns aos outros?