5 Mitos sobre a aprendizagem de sono infantil.

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E aqui vamos nós, de novo, no velho e famoso assunto do sono infantil!

No post de hoje decidi abordar os 5 mitos (mais comuns) sobre a aprendizagem de sono infantil.

Vamos direto aos mitos:

  1. Afeto resolve desafios com o sono: Seu pequenino ama o conforto do seu colo. Ele adora carinhos, ser embalado para dormir e aquele cafuné gostoso. De maneira nenhuma você deve privar seu pequeno destas demonstrações maravilhosas de amor. O ponto é que o afeto não será a solução para noites mal dormidas, da mesma forma que infelizmente, ele não é a solução para uma barriga vazia. Se sempre que a criança acordar, nós interpretarmos este comportamento como "falta de afeto ou de amor", estaremos sendo injustos com nós mesmos e por consequência deixaremos a oportunidade de ensinar a dormir passar batida. Se você se pega com pensamentos intrusivos, que te levam a achar que as acordadas são o resultado de "falta de carinho", é importante considerar que talvez você esteja se sentindo desamparada. Nós também precisamos de colo! Por isso, busque suporte com um amigo, familiar ou profissional e explore mais afundo o que de fato está causando este sentimento. Para ensinar a dormir o afeto precisa ser visto como suporte e não solução.
  2. O colo é o inimigo do sono: Para ensinar um bebê ou a criança a dormir você não precisa desassociar por inteiro o colo do processo. O que nós precisamos é ter a consciência de que ele não soluciona o desafio! Ele deve ser visto como mais uma ferramenta e não como a única maneira de fazer dormir. Balançar, pegar no colo, usar o carrinho, caminhar pelo quarto, oferecer o peito ou a mamadeira, todas são formas de centralizar a aprendizagem no cuidador. Isso não permite o espaço necessário para a criança descobrir alternativas sozinha. Por exemplo, algumas pessoas relatam que seus filhos, quando deixados sozinhos no berço, gostam de brincar. Por medo deles "despertarem de vez", os pais acabam interferindo neste processo, ninando, e "fazendo a criança dormir". Agora a pergunta que fica é, como uma criança em estado alerta será capaz de desenvolver a habilidade de pegar naturalmente no sono, se este momento nunca existir? Nós problematizamos comportamentos infantis, e nós somos ensinados que seremos a única solução para tudo. O que não é a realidade. Use o colo, e ao mesmo tempo, ofereça para a criança alternativas e o espaço necessário, que ela precisa para encontrar sua própria maneira de pegar no sono.
  3. As acordadas na noite são causadas por fome: Se isso fosse verdade eu não atenderia diariamente bebês e crianças que mamam no peito ou na mamadeira até 8 vezes por noite. O afeto não soluciona o sono. Da mesma forma que ele não enche barriga. E a comida, por sua vez, não resolve nem nossa "falta de amor" ou nos faz dormir melhor. Ainda existe muito a ser estudado sobre os efeitos dos padrões alimentares no sono infantil. Mas diversos Pediatras e especialistas no sono observam que um dos fatores essenciais para boas noites é o espaçamento adequados entre as refeições. Tudo isso de acordo com a idade e saúde pediátrica do bebê ou da criança. Ao espaçar as refeições, possibilitamos que nosso organismo regule a produção hormonal necessária para organizar períodos de atividade e sono. Fica evidente também que intervalos curtos de jejum otimizam a qualidade do sono. 
  4. O sono infantil é diferente do adulto: O sono em si não difere, o que é diferente são os períodos que eles passam em sono ativo e profundo. Ou melhor, o ciclo de sono deles é mais curto  do que o nosso. Fim. Só isso. Nada além. Ou seja, não podemos nos convencer de que eles não são capazes de dormir.  Devido ao intenso desenvolvimento neurológico nos primeiros anos de vida, nossos pequenos passam boa parte do tempo em sono ativo. É comum interpretarmos esta "atividade noturna" como "acordadas". Isso pode gerar constante ansiedade e interferência da nossa parte. Gradualmente condicionando nossa presença no ambiente de sono. Lembra quando mencionei que é comum problematizarmos comportamentos infantis? Esse é um outro exemplo de como fazemos isso. Somente 2-3% dos pequenos, de fato, têm condições que podem interferir na habilidade de dormir. É estimado que 40% das crianças com até 7 anos de idade estejam enfrentando problemas causados por privação de sono.  O sono é a consequência do ambiente e dos estímulos que a criança recebe, por isso estou aqui para te relembrar que você pode sim melhorar imensamente o sono da sua família.
  5. Problemas de sono se resolvem naturalmente: Você já ouviu dizer que nós nunca mais conseguiremos recuperar o sono perdido? Não? Então, senta pois esta informação é chocante. Problemas de sono não se resolvem naturalmente: Eles evoluem. A falta de sono têm um efeito "bola de neve" no organismo. Quanto menos nós, ou as crianças dormem, mais velocidade e maior a bola de neve fica. Existem dois tipos de privação de sono: total e parcial. Privação de sono total ocorre quando a pessoa passa mais de 24 horas acordada, enquanto privação parcial, é o acumulo contínuo de períodos de falta de sono por dias, semanas, meses ou até mesmo anos! Pelo processo ser acumulativo a tendência é que as noites sem dormir afetem o desenvolvimento das habilidades físicas e emocionais infantil com o passar do tempo. Para os adultos, que acompanham este processo exaustivo, os efeitos são observados no aumento drástico de ansiedade, depressão, obesidade, entre outros. 

É importante nos conscientizarmos sobre esses mitos pois nenhum deles são embasados. Ao contrário, a maioria serve para nos manter presos a uma situação que necessita de atenção e dedicação urgente.


O desafio com o sono é um acompanhante constante e este processo é trabalhoso e contínuo.

Mesmo assim, sua dedicação e compreensão do assunto são essenciais para alcançar noites melhores.

Conhece uma família que precisa de suporte com o sono?

Não esqueça de compartilhar este material com ela!

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Palestra sobre ansiedade de separação!