A importância da diversidade no desenvolvimento infantil

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Como um músculo, o cérebro precisa ser exercitado para se tornar cada vez mais forte.

Descobertas recentes tornam ainda mais evidente a importância de compreendermos melhor seu funcionamento, não só para desenvolver nossas competências, mas também para conseguirmos guiar as futuras gerações com mais consciência e responsabilidade.

O assunto que iremos abordar hoje é a necessidade do cérebro de vivenciar experiências variadas para fortalecer suas habilidades cognitivas, empáticas e até mesmo a inteligência emocional.

Estudos apontam que a convivência com diversidade social, cultural, religiosa, racial, entre outros, pode ser um dos fatores que aumenta nossa inteligência, criatividade e eficácia na resolução de problemas.

Crianças inscritas em escolas com maior diversidade racial e socioeconômica têm uma média mais alta em suas notas. Isso acontece porque uma das maneiras mais efetivas para aprender é através de observações. Quando o meio de convívio e as experiências pelas quais a criança é exposta são limitadas, perde-se a oportunidade de ampliar a aprendizagem sobre problemas e desafios que englobam um contexto que vai além da realidade que elas vivenciam diariamente.

Em outras palavras, sempre que a criança tem a chance de entrar em contato com diferentes maneiras de ser e viver, as habilidades do cérebro crescem.

Além da inteligência, outro fator importante sobre a pluralidade é que um alicerce de inclusão e respeito é construído desde cedo. Diversidade reduz a intolerância, aumenta a autoestima e fortalece as habilidades necessárias para liderar, compreendendo os problemas de outros – o que gera um tipo de liderança empática. Conviver e trocar experiências é essencial para o crescimento pessoal do indivíduo.

Quando a diversidade não está presente em nossos círculos de relacionamentos, abre-se o espaço para o preconceito e até mesmo para o racismo, pois a empatia torna-se impraticável. Pois, afinal, como aprender a respeitar e se importar pelas necessidades dos outros se as desconheço?

Cada família cultiva seus próprios valores e crenças conforme sua criação, assim reforçando a autoimagem e identidade da criança de maneira singular. Isso faz com que as ideias que ela desenvolve sobre ela mesma sejam diferentes em cada cultura.

Uma vez que a infância é limitada a somente uma realidade, podemos dizer que até mesmo sua percepção sobre o mundo, sobre os outros e delas mesmas é restringida. Problemas tomam proporções maiores, soluções aparentam ser inatingíveis e a ideia de que mais pessoas enfrentam desafios, muitas vezes maiores do que os nossos, passam a existir somente em contos de fadas. A falta de identificação com aqueles que sofrem nas mãos da intolerância faz com que se assimile a ficção e se torne bastante difícil dar nome, cara e personalidade aos afetados. Assim, um dos aspectos mais importantes sobre nossas habilidades humanas – colocar-se no lugar do outro –, morre.

Vale lembrar que o cérebro é como um músculo: quando não exercitado, perde sua capacidade de sentir pelo outro.


Por isso, finalizo com essa importante questão: como você pretende trabalhar a diversidade na sua dinâmica familiar?