Como criar mulheres fortes?

Em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, tomei a liberdade de escrever um post sobre como criar mulheres fortes.

Antes de mais nada, acho importante mencionar que ser mulher é algo maravilhoso e complexo, que nos proporciona uma variedade de sensibilidades, forças e desafios.

Precisamos abraçar a dimensão do que isso implica e celebrar esse presente, pois enquanto tratamos feminilidade como uma doença, torna-se impossível ajudar nossas meninas a construir um relacionamento saudável com quem elas são.

Então, vamos ao que interessa. Essas dicas são muito pessoais, visto que fui presenteada com uma família de mulheres fortes e determinadas, e aprendi em primeira mão o poder e potencial incrível que todas nós carregamos.

  1. Proporcione atividades com estímulos variados para suas filhas. O que quero dizer com essa recomendação? Em um estudo, percebeu-se que os brinquedos rotulados como “para meninos” ou “para meninas” fortalecem e estimulam funções em partes diferentes do cérebro. “Descobrimos que os brinquedos das meninas estavam associados à atratividade física, nutrição e habilidade doméstica, enquanto os brinquedos dos meninos eram classificados como violentos, competitivos, excitantes e um tanto perigosos. Os brinquedos classificados como mais propensos a serem educativos e a desenvolver habilidades físicas, cognitivas, artísticas e outras para crianças eram tipicamente classificados como neutros ou moderadamente masculinos. Concluímos que os brinquedos fortemente tipificados por gênero parecem ser menos favoráveis ao desenvolvimento ideal.” Isso significa que estamos estagnado o desenvolvimento neurológico das nossas crianças, pois partes complementares do cérebro não estão sendo trabalhadas pelas atividades serem muito limitadas. Na vida adulta isso direciona fortemente as escolhas profissionais e habilidades do indivíduo.

  2. Parabenize as atitudes das suas filhas pelos esforços e não por sua aparência. Este é um assunto repetido aqui no blog, pois escrevi uma matéria que aborda o assunto e exemplifica as disfunções que podem ser causadas por esta prática. Para meninas esse feedback pode ser maléfico, pois boa parte da autoestima feminina é incentivada e construída com base nas aparências. Para que uma menina se transforme em uma mulher forte, ela precisa saber que ela tem outras qualidades que vão além de razões superficiais. Parabenizações rasas e excessivas cultivam a vitimização e desistência de atividades desafiadoras.

  3. Evite rotular comportamentos e sentimentos: para construir um relacionamento respeitoso e confiança entre cuidadores e meninas, aprenda a escutar sem julgar. Isso deve ser aplicado em todos os relacionamentos, porém, o mundo feminino está repleto de estigmas. Para uma menina que busca suporte para navegar a complexidade dessas interações, é importantíssimo sentir-se segura para dizer qualquer coisa a seus pais. Quando rotulamos, sem querer, empurramos nossas filhas para mais longe. O pudor causa a vergonha, que motiva a criança a buscar respostas fora de casa. Quanto maiores os seus julgamentos, menores as chances das suas filhas olharem para você como uma fonte de amparo.

  4. Incentivem suas filhas a calcular e assumir riscos. Crie uma mentalidade de crescimento e reforce que elas são capazes de alcançar qualquer um de seus sonhos. Ser mulher não é uma doença. Precisamos parar de tratar isso como um impedimento para vencer barreiras. Por isso, quando sua filha quiser sair de casa, ensine-a a pagar contas. Quando ela demonstrar interesse em uma profissão, sente no computador e pesquise informações sobre o tema. Quando ela quiser abrir um negócio, seja o primeiro cliente. Perceba que eu não disse “facilite ou limite o processo”, eu disse: “se interesse e confie em suas capacidades”.

  5. Jamais coloque uma menina contra a outra. Especialmente se você é uma mãe lendo esse post, por favor, eu imploro, ajudem suas filhas a fortalecerem o vínculo com outras mulheres. Nós precisamos umas das outras. Chamar mulheres por palavras vulgares ou diminutivas perto de nossas filhas normaliza este tipo de comportamento e aumenta o abismo entre todas nós. Precisamos olhar umas para as outras com empatia e não com indiferença. Atividades em grupos ou times como cabo de guerra, queimada, futebol, vôlei, handebol, ginástica olímpica, que cultiva a competitividade de forma saudável e direcionada ao trabalho em equipe, são ótimas opções para fortalecer esses vínculos.

  6. Controle a exposição da sua filha à mídia. Evite ler essa frase como “enfie sua filha embaixo da sua asa e jamais deixe ela assistir televisão”. Essa foi uma recomendação que a psicóloga de uma cliente minha me passou. Ela reforça a importância de limitarmos a exposição, pois a mídia cultiva padrões irrealistas de peso, beleza, capacidades, entre outros. Infelizmente, boa parte dos programas direcionados para meninas incentivam o amadurecimento precoce. Além disso, os produtos anunciados durante os comerciais televisivos ou em programas do YouTube fortalecem o foco em atributos superficiais e atividades condicionadas por gênero. Essa influência deve ser conversada abertamente. Pergunte para sua filha como ela se sente após assistir certos programas de televisão. Questione: quais foram as lições que ela recebeu do programa? Ou, talvez, se existe alguma coisa que ela gostaria de perguntar sobre esse conteúdo.

  7. Fuja da “síndrome da boa menina”: respeito é bom e todo mundo gosta, certo? Porém, obediência e respeito são coisas diferentes. Quando passamos anos martelando na cabeça de nossas filhas que elas devem ser “boas meninas” isso traduz para “obediência”. O problema é que eventualmente nós deixamos de ser a figura de autoridade na vida de nossas filhas, e quando isso acontece, o perigo está na possibilidade delas se meterem em relacionamentos com pessoas abusivas e, adivinha? Por “ser uma boa menina”, ela pode enfrentar dificuldades para sair dos mesmos relacionamentos. É difícil passar esse ensinamento adiante, enfrento desafios com isso até hoje. Então, quebre essa barreira, permita que suas filhas tenham opiniões. Incentive que elas digam “não” sem ter medo de machucar os sentimentos alheios. Fortaleça sua autonomia e admire sua determinação.

Este é um dos dias mais especiais do ano onde podemos celebrar umas às outras.

Espero ter ajudado vocês a cultivar um ambiente que cria mulheres ainda mais fortes e capazes.

E aí? Como você empodera suas meninas?

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