Esclarecimentos sobre a criação com apego e a teoria do apego

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Um dos tópicos mais questionado por meus clientes e nas minhas redes sociais, sem dúvida alguma, é a criação com apego.

Acho importante mencionar de antemão que existem diferenças grandes entre teoria do apego e criação com apego. Essa distinção é importante porque, por mais que criação com apego venha da teoria do apego, nem sempre as propostas são as mesmas dependendo da fonte.

Esse assunto é extremamente complexo e pessoal para muitas pessoas. De maneira alguma minha intenção é ditar como você deve criar seus filhos. O objetivo aqui é informar para reduzir as dúvidas que “criar com apego” podem levantar.

A teoria do apego consiste na ideia de que dois tipos de cuidados são essenciais para potencializar o desenvolvimento infantil saudável:


  1. Segurança: Uma criança que se mantém segura sobrevive.

  2. Exploração: Uma criança que explora e brinca desenvolve técnicas e inteligência necessárias para a vida adulta.


Quanto mais segura a criança se sente em seu ambiente e percebe que suas necessidades estão sendo supridas, mais confiança ela tem para explorar e brincar. Isso resulta em um indivíduo pronto para atuar em sociedade, considerando que a convivência em família replica as interações sociais e que a brincadeira é uma das fontes mais importantes para a aprendizagem durante a primeira infância. Sobre esse assunto, recomendo a leitura de A conquista da felicidade, por Jonathan Haidt.

Essa teoria nasceu da experiência do psiquiatra e psicanalista John Bowlby. No início de sua carreira, Bowlby trabalhou em casas para crianças que não tinham contato com seus pais e também em uma clínica e hospital de crianças durante a segunda guerra mundial. Em ambas ele percebeu o verdadeiro impacto que a separação dos pais tinha no desenvolvimento e comportamento infantil. Devido ao vasto número de crianças que se encontrava nesta situação crítica após a segunda guerra mundial, a Organização Mundial de Saúde convidou Bowlby para estudar o assunto mais a fundo e escrever sobre o tópico. E, assim, originou-se a teoria do apego.

Outro psicologista que contribuiu fortemente com a construção dessa teoria foi Harry Harlow PhD. Harlow foi um dos primeiros a testar na prática o princípio do apego, inicialmente descrito por freudianos e behavioristas, que supunham que a proximidade entre mãe e bebê era inteiramente baseada no leite. Não no afeto ou precisão nos cuidados, somente no leite.

Em um dos estudos mais conhecidos (e polêmicos) na psicologia, Harry Harlow PhD. testou essa hipótese e propôs em um de seus muitos experimentos criar filhotes de macacos com uma “mãe de arame”, que oferecia leite, e com uma “mãe de pano”, que não alimentava os macaquinhos. O que foi observado foi que os bebês aceitavam o leite da “mãe de arame”, mas após a refeição passavam todo o dia abraçados com a “mãe de pano”. Ou seja, o apego não dependia somente do leite, e sim de cuidados, afeto e segurança.

Criação com apego nasceu destas (entre outras) descobertas, e se tornou uma filosofia de parentalidade criada pelo pediatra William Sears e sua esposa Martha Sears. Desde a publicação do livro The Baby Book (considerado a Bíblia da criação com apego), essa filosofia evoluiu e passou a ser moldada por outros profissionais e apoiadores da prática.

Existem hoje diversas “regras e parâmetros” que supostamente determinam se de fato os pais estão ou não criando seus filhos com apego.

Por isso, achei válido colocar aqui o significado desta filosofia retirado diretamente do site do fundador da prática, Dr. Sears:

“É importante lembrar que a criação com apego é uma abordagem e não um conjunto de regras. Portanto, enquanto o vínculo gerado no parto, na amamentação, no uso do sling e na cama compartilhada segura, são encorajados neste estilo de parentalidade, os benefícios do apego não são exclusivos daqueles que são capazes de fazer todas essas coisas. Os princípios da Criação com Apego são ser responsivo e sensível às necessidades do seu bebê, cuidar do seu filho através do toque e criar um vínculo que permita que as necessidades da criança sejam facilmente decifradas e cuidadas.”


Como este tema está em alta e percebo que MUITAS famílias estão sendo coagidas a acreditar que existe somente uma maneira de criar com apego, deixo aqui essas informações para que cada um tire suas próprias conclusões.

Criar é algo pessoal. Cada bebê é único. E apego (teoria ou criação) dependem apenas de, a cada dia, aprender e reagir da melhor forma possível às necessidades dos nossos bebês, oferecer nossa atenção, afeto e cuidado.


Espero que este material tenha esclarecido suas dúvidas sobre criar com apego.

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Mariana Alves