Os princípios da comunicação não-violenta

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Qual foi a última vez que você parou para pensar sobre o peso das tuas palavras?  Hoje? Um ano atrás? Nunca?

Independente da sua resposta, precisamos concordar que tudo que sai da nossa boca pode motivar ações e reações positivas e/ou negativas, e que quando repetimos muito alguma coisa, podemos até manifestar o que tanto tememos.

Além disso, existem estudos que apontam que os rótulos que damos para crianças afetam:

  1. A maneira que a criança se enxerga

  2. A maneira que tratamos a criança

  3. Impõe limites na criança

Especialmente quando somos responsáveis por uma outra vida, precisamos vigiar nossa narrativa sobre situações, sentimentos e necessidades, pois hoje sabemos que nossas falas interferem na percepção da criança em relação ao mundo ao seu redor (e sobre ela mesma).

Um exemplo com uma situação simples é: sempre que chove você diz algo como: “Ai, filha, que triste, hoje não vamos poder ir passear pois está chovendo.” Existe uma grande possibilidade de que a sua filha quando crescer possa relacionar a chuva com o sentimentos de tristeza.

Por outro lado, se você afirmar: “Nossa, filha! Está chovendo. Vamos olhar da janela todas as plantas sendo regadas?”, possivelmente o efeito será o contrário.

Nessas situações, nem sempre o mal é grande. E adivinha? Ninguém é obrigado a gostar da chuva ou ser otimista em todas as situações, mas quando nossa narrativa vende hostilidade, limitação, manipulação e/ou deboche, o impacto das nossas colocações tem efeitos avassaladores na saúde física e mental da criança.

Com isso em mente, gostaria de apresentar a vocês uma ferramenta essencial para melhorar seus relacionamentos, se tornar um exemplo em liderança na sua família, e potencializar o desenvolvimento dos seus filhos.

Por mais que possa parecê-lo à primeira vista, não se tratam de promessas vazias e, por mais que esta técnica não te poupará de possíveis desafios, ela certamente irá fortalecer a segurança, respeito e vínculo na sua família.


Estamos falando da comunicação não-violenta.

O que é a comunicação não-violenta?

De acordo com o Institudo CNV Brasil, “mais do que uma forma de se comunicar, a comunicação não-violenta (CNV) é a reconexão com a capacidade de empatizar com o outro e consigo mesmo."

Quem foi a pessoa responsável por criar essa filosofia?

Marshall Rosemberg. Ele foi um pesquisador e criador da proposta da CNV e conta que “essa maneira de se expressar nada mais é do que uma série de conhecimentos centenários traduzidos em uma perspectiva atual e prática. É entrar em contato com as mais profundas necessidades humanas que todos compartilhamos, e interagir com o outro a partir desse olhar.”

Em outras palavras, é uma maneira honesta, clara e empática de se comunicar. Mas como a comunicação não-violenta funciona? A estrutura da comunicação não-violenta segue 4 componentes:

  1. Observação: O que você está observando quando não inclui rótulos e julgamentos?

  2. Sentimentos: O que você está sentindo sem incluir seus pensamentos sobre a situação?

  3. Necessidades: Quais são as suas necessidades que precisam ser respeitadas diante desta situação, uma vez que você retira suas estratégias ou exigêncas para supri-las?

  4. Pedidos: Quais são os pedidos específicos, mensuráveis, atingíveis, relevantes e limitados a um tempo que podem ser feitos para encontrar alternativas para solucionar o desafio? (lembrando que você deve receber um ‘não’ com o mesmo respeito e compreensão que recebe um "sim")

Esses são os pontos-chave para praticar a CNV. Vamos ao exemplos.

Situação: A criança está em cima da mesa prestes a cair. Reações:

  1. Você grita: “Desce daí agora! Você vai cair e se quebrar todo. Que saco, eu preciso ficar repetindo a mesma coisa sempre. Não acredito nisso. Você é muito desobediente.”

  2. Você diz de maneira surpresa: “Você está em cima da mesa! Sei que você está se divertindo, mas isso não me parece seguro. Você quer descer sozinho ou precisa de ajuda para descer?”

  3. Não fala nada e tira a criança de cima da mesa, em seguida explica: “Meu amor, a mamãe já te disse que não é para subir na mesa. Você pode cair e machucar a cabeça, você ainda é pequenino. Se isso acontecer teremos que ir ao médico. E o Doutor Fernando já te disse que não era para subir nas coisas. Lembra aquela vez que você caiu do sofá? Então? Não pode fazer isso, meu amor.”

Tanto na situação 1 quanto na 3 a criança é rotulada e suas capacidades diminuídas. Aparentemente em uma delas os rótulos são inocentes, enquanto na outra se torna evidente a agressão imposta pela verbalização.

Do contrário do que muitos acreditam, as agressões não são limitadas somente a palavras que expressam sentimentos considerados negativos, como também qualquer colocação que disfarça e diminui as habilidades e necessidades do outro. Portanto, a agressividade passiva pode ser tão prejudicial quanto a agressividade explosiva. É importante lembrar que para se comunicar desta maneira com sucesso precisamos quebrar diversos padrões que permeiam a violência nas entrelinhas.

Esse texto foi apenas uma introdução ao tema e um convite para que todos conheçam esta maneira empática de se comunicar.

Ficou curioso pra saber mais sobre o assunto? Deixe seu comentário com dúvidas e provocações.

Mariana Alves