Pais não são eternos: como ajudar os filhos a passar pelo luto

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Além da dor em perder um ser querido, o desafio é ainda maior quando há crianças envolvidas no processo de luto, especialmente quando se trata da perda do pai ou da mãe. Como contar? Como ajudá-la a passar por esse difícil momento? Para uma criança pode não ser fácil digerir a ideia de não tê-los mais fisicamente presente. Pensando nisso, aqui vão algumas dicas para ajudar a criança a lidar com a perda materna ou paterna.


1. Seja honesto em relação aos fatos.

Temos uma facilidade incrível de omitir e evitar conversas realmente dolorosas, porém isso não ajuda a criança que também necessita de um encerramento ou conclusão para a perda. É importante oferecer informações suficientes para a criança entender os acontecimentos enquanto, ao mesmo tempo, respeitando sua idade e habilidade de compreensão. Explicações lúdicas são boas para algumas idades, contanto que os fatos não sejam distorcidos em excesso. Da mesma forma que as explicações realistas demais podem ser impactantes demais para a criança gerenciar.


2. Peça ajuda.

Neste caso, me refiro a todo tipo de ajuda possível, dos amigos até o acompanhamento psicológico. Não somente para as crianças, mas também para aqueles que dão suporte à criança, pois certamente iremos precisar de ajuda gerenciando todos os sentimentos que irão surgir.


3. Permita que a criança conte sua própria história.

É fácil deixar a criança desamparada pois nossa necessidade de “resolver” ou “evitar” sofrimento compromete até mesmo nossa disponibilidade para dar atenção e realmente ouvir o que elas têm para contar sobre a experiência que estão vivendo. Contar histórias é uma ótima maneira para curar dores e anseios.


4. Busque eventualmente dar continuidade à vida.

Retomar as atividades será um grande desafio, dependendo de como tudo aconteceu. Mesmo assim, existe uma grande necessidade da criança voltar à sua rotina, tais como escola, atividades extracurriculares e afins. Tudo isso com muita cautela para não negligenciar suas necessidades emocionais. Oferte carinho e amparo durante a volta às atividades. Converse com os adultos envolvidos e garanta suporte para a criança também fora de casa. Esteja aberto para conversar com as pessoas sobre como você gostaria de tratar essa transição.


5. Priorize a conexão entre você e a criança.

Vocês dois estão sofrendo e essa dor precisa ser confortada. Não tenha medo de verbalizar quando você não tem a resposta para suas perguntas ou sobre como ajudar a criança. Neste momento, esteja disponível para descobrir junto com ela uma possível solução ou resposta. Aceite os sentimentos da criança evitando frases que diminuem o sentimento. Em vez de “calma amor, vai passar”, diga: “isso mesmo, meu amor, coloque para fora.”


6. A morte gera uma sensação de insegurança sobre a vida na criança.

Por isso, ajude a restaurar essa sensação de segurança atendendo às suas necessidades básicas, deixando claro quem irá cuidar dela desse momento em diante, esclarecendo dúvidas sobre sua saúde ou segurança (eu também vou ficar dodói e morrer?). Finalmente, é importante lembrar que algumas crianças se sentem culpadas pela perda. Trabalhar esses medos é muito importante para amenizar a situação.


7. Mantenha a imagem materna/paterna viva.

Talvez isso aconteça um pouco mais adiante, mas é importante criar momentos e ou fazer atividades para ajudar a criança a lembrar do amor materno/paterno. Um álbum de fotos especial, uma caixa com objetos que contam a história da mamãe ou do papai e/ou uma comemoração nas datas especiais como aniversário são maneiras perfeitas para ajudar com isso.

Não há uma fórmula sobre como passar por esse momento, tão particular e tão íntimo, já que a criança também vai lidar à sua própria maneira com a perda do pai ou da mãe. De qualquer forma, essas sugestões podem ajudar bastante e ser suporte nas horas mais apertadas, e é sempre bom ter em mente o que queremos passar para a criança, apesar da própria dor que toma conta de nós ao lidar com a morte de alguém tão próximo.

E, o mais importante, não esquecer de semear amor e companheirismo nesse momento!

Mariana Alves