Parentalidade helicóptero: os efeitos contrários do overparenting no desenvolvimento infantil

A parentalidade helicóptero, ou overparenting, reflete inseguranças dos pais e falta de confiança na capacidade de aprendizagem e autonomia da criança

A parentalidade helicóptero, ou overparenting, reflete inseguranças dos pais e falta de confiança na capacidade de aprendizagem e autonomia da criança


Parentalidade: qualidade do que é parental; estado ou condição de quem é pai ou mãe. Sendo estado ou condição, sê-lo em demasia, ou estar muito presente, cuidando cada detalhe ou não deixando espaço para a criança aprender sozinha é o excesso de parentalidade, a superproteção que chamamos de parentalidade helicóptero – ou, em inglês, overparenting.

Há certas pressões próprias da parentalidade que podem levar os pais a ultrapassar os limites dos cuidados infantis e chegar a interferir no processo de aprendizagem infantil. São elas:

  • Ansiedade sobre fazer o certo

  • Falta de paciência

  • Pressões alheias sobre como você deve cuidar dos seus filhos

  • Crenças limitantes sobre o propósito da infância

  • Experiências traumáticas da sua infância

  • [Inclua aqui uma limitação]


Cuidar de uma criança é um desafio imensurável que é acompanhada por pressões e responsabilidades avassaladoras, especialmente quando acreditamos que estamos "no controle” ou que somos os “causadores” do desenvolvimento e/ou aprendizagem.

A parentalidade helicóptero ganhou imensa força quando passamos a diminuir o propósito da infância ao conceito de que crianças são indefesas e incapazes.


Desde sempre as crianças nascem com as mesmas necessidades que todo ser humano. Isso inclui autonomia, espaço, escolha, liberdade, descoberta.


Quando nos encarregamos de proporcionar experiências de maneira artificial ao construir situações e ambientes completamente irrealistas nutrimos inseguranças e limitações na criança. Passamos a escrever uma história com uma narrativa fabricada de maneira que as experiências são sempre superficiais e a confiança e resolução de problemas é terceirizada para os cuidadores. Esse estilo de parentalidade prejudica não só a criança mas também o cuidador que se leva à exaustão por não se enxergar capaz de controlar ou “dar conta” de todas as demandas da vida da criança.

Naturalmente, os abismos dentro das relações familiares passam a ser construídos. A famosa “culpa materna” é um dos grandes sintomas dessa realidade, que surge diante de expectativas pessoais e sociais de que temos que educar em todo e qualquer momento, e que somente nossas interferências serão fontes de aprendizagem. O que, claramente, não é verdade. Assim, surge o desespero para explicar tudo, resolver todos os desafios, poupar a criança de frustrações e até diminuir a criança com táticas passivo-agressivas que são justificadas por zelo e/ou amor.

Algumas dicas sobre como evitar essa grande armadilha são:

  1. Conheça o desenvolvimento infantil e se abra para um mundo de possibilidades.

    Entender que o foco do crescimento não é você pode ser um ótimo começo. Somos essenciais para proporcionar amparo, suporte e criar um ambiente saudável. No entanto, não somos o centro de tudo, a criança é. Ao aprender sobre o desenvolvimento, nos damos conta disso e passamos a testemunhar a revelação dos talentos e habilidades da criança sem nos responsabilizarmos por questões que devem ser solucionadas pela própria criança.

  2. Entenda o seu lugar no desenvolvimento da criança.

    Esse conceito é importante quando compreendemos que nosso “lugar de fala” se encontra suportado por uma realidade diferente do que a vivência que a criança está experienciando. Separe suas experiências das da criança, pois, na maioria das vezes, reagimos por olharmos para nossos pequenos como se eles fossem uma extensão de nossos traumas e inseguranças. O que pode se tornar verdade, se nunca fizermos essa diferenciação. Se você sente abandono diante de alguma situação que ocorreu durante o dia, adivinha? Você é quem está precisando de amparo em relação a essa sensação, pois não necessariamente essa realidade faz parte dos sentimentos e necessidades da criança.

  3. Cultive a postura de observador diante ao crescimento.

    Estamos com muita pressa para que os marcos sejam atingidos. Queremos que nossos filhos sejam os primeiros a caminhar, correr, falar 5 línguas, e por isso negligenciamos por completo a construção da BASE necessária para suportar o próprio indivíduo. Atropelamos o que julgamos ser o básico na intenção de preparar a criança para o mundo das metas. E, então, criamos pessoas inseguras e completamente iletradas quanto a suas necessidades, sentimentos e comportamentos. Você não precisa forçar uma criança a sentar antes que ela esteja pronta para aprender essa postura. Mas você, sim, precisa proporcionar um lugar e um ambiente seguro e positivo que possibilitem que essa aprendizagem aconteça.

Sei que esse tema é extremamente desconfortável, pois somos guiados a desacreditar nas possibilidades do crescimento guiado pela valorização da infância e pelo que ela, de fato, representa.

Devemos reservar para infância um espaço sagrado que possibilita a inspiração e a evolução contínua em vez de um período desconexo e de extrema insegurança.

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