Tem idade certa para entrar na escola?

idade certa escola.jpg

Escolha da escola, adaptação da criança (e dos pais!), acompanhamento. A iniciação escolar tem seus desafios, e já começa pela dúvida: qual a idade certa para a escola? Existem inúmeras metodologias de ensino e diferentes possibilidades de matrícula, sendo elas por meio período ou integral. Mas como escolher o melhor momento e como saber se criança se adaptou bem à nova rotina?

Inserir a criança no ambiente escolar deixou de ser algo atrelado à prontidão e necessidades exclusivas dela e evoluiu para uma questão de necessidades dos pais, sejam elas, profissionais, financeiras e/ou sociais.


Por mais que as expectativas tenham mudado em relação às crianças, é preciso saber que a velocidade pela qual o desenvolvimento em si acontece, continua a mesma.


Com isso em mente, vamos esclarecer alguns pontos:

 

  • Existe idade certa para colocar a criança na escola?

 

Geralmente, acredita-se que quando a criança completa o segundo ano de vida e passa a verbalizar com mais clareza, já está pronta para iniciar a rotina escolar. No entanto, um estudo da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, destaca a importância de iniciar a vida escolar com uma idade mais avançada. No caso da necessidade de colocá-lo na pré-escola, a orientação é: buscar instituições de ensino com o foco em atividades ao ar livre, brincadeiras e relações humanas. 

O foco da primeira infância deveria ser voltado para as relações e convivência humana, criatividade, atividades ao ar livre e muitos estímulos físicos. Mas existe ainda uma exigência inclinada à passividade no comportamento e numa quantidade muito variada de materiais, sendo que as funções executivas do cérebro ou habilidades de autocontrole e autorregulação ainda estão longe de serem desenvolvidas. A ida precoce à escola pode ser uma das razões para o alto índice de diagnósticos incorretos de Déficit de Atenção e Hiperatividade, como apontou um estudo da Universidade de Harvard. Dessa forma, comportamentos normais como a falta de atenção e impulsividade nos movimentos são problematizados e em casos extremos, até medicados.

 

  • Para quem opta pela introdução escolar logo cedo, como deve ser feita a adaptação?

 

Cada escola segue uma metodologia e/ou filosofia diferente para adaptação escolar. Algumas acreditam que os pais devam acompanhar os filhos por períodos curtos durante as primeiras semanas de aula, enquanto outras fazem o contrário.

O importante é que os pais se sintam confiantes na abordagem e que eles acreditem na metodologia da escola, para evitar possíveis conflitos que podem prejudicar a adaptação da criança.

 

  • Quantos dias é necessário fazer esse processo?

 

Cada criança é diferente. Em alguns casos a adaptação pode demorar dias, enquanto em outros, este processo pode demorar meses.

 

  • Como identificar se a criança está se adaptando à escola?

 

Se existem melhorias a cada dia ou a cada semana, pode-se dizer que a adaptação está se encaminhando para ser bem sucedida.

 

  • É comum que algumas crianças chorem, ao se separar da mãe, sair de sua casa? Como identificar se o choro não é normal?

 

Boa parte das crianças choram quando são deixadas na escola e/ou quando os pais chegam para buscá-las. Observe a duração do choro. A maioria das crianças choram somente nos momentos de transição e param logo em seguida. Quando o choro não cessa e o processo se prolonga além do tempo considerado “normal”, é importante considerar que talvez a criança não esteja pronta para esta transição. Vale buscar outras opções de cuidados, como babás, avós ou alguém de confiança.

 

  • O que fazer em casos de algum "trauma" e resistência da criança?

     

Nosso objetivo em relação a “traumas” não é evitá-los e, sim, auxiliar de forma saudável e segura a criança a gerenciá-los quando eles acontecerem. Traumas são inevitáveis e, por isso, uma postura respeitosa, segura e afetuosa da nossa parte é essencial durante qualquer processo de transição que marque a vida da criança. 

Aprender a guiar a criança sem personalizar as situações e buscar ajuda de um profissional são sempre ótimas opções. Além disso, é extremamente importante manter um bom relacionamento com a escola e comunicar todas as preocupações, sempre que se julgue necessário.

Mariana Alves