O que determina se a criança é bem ou mal comportada?

Blog para mamães, gestantes e cuidados do bebê

Cuidar de bebês, a educação infantil, os momentos do parto, as experiências de uma gravidez. Tudo isso gera na família curiosidades, ansiedades e dúvidas. O blog da Mariana Zanotto é feito com muito carinho por que produz conteúdo de alta qualidade, muita informação, para mamães que buscam por apoio. É um blog para mamães de primeira viagem, para as experientes, gestantes, papais, educadores. Toda semana novas postagens com os mais variados temas. Esperamos que nossos artigos sejam úteis. Leia, comente, compartilhe. Aproveite para conhecer também os cursos para mamães e cuidados do bebê, muito interessantes para quem quer se preparar aos desafios da maternidade.

O que determina se a criança é bem ou mal comportada?

Para responder esta pergunta, precisamos ir além do óbvio. É engraçado como perdemos a noção do básico e como nosso foco anda vagando.

Crianças e bebês se tornaram uma extensão do adulto. Dos pais. Eles são tão "incapazes" que quando não reagem como devem, inicia-se a busca interminável pelo culpado, assim voltando todos os resultados da interação para as necessidades e capacidades do cuidador e não da criança. Pois, afinal, isso reflete em MIM e na MINHA habilidade de "dominar meus filhos".

Nos falta conhecimento sobre onde devemos depositar tempo e atenção para que nossos pequenos tenham acesso às ferramentas necessárias para se tornarem adultos bem resolvidos, "comportados", bem integrados e que contribuam positivamente para a sociedade. E esse déficit de informação é agravado cada vez mais com a migração do mundo real para o mundo virtual, com a comparação e o julgamento.

A noção de QUEM são as crianças se perdeu, e isso alimenta a culpa e as expectativas irrealistas sobre o que podemos exigir ou não dos nossos filhos. Esquecemos que o SIMPLES é mais valioso do que aulas intermináveis de Japonês que eventualmente poderão (ou não) trazer boas oportunidades de trabalho.

Tudo passou a ser sobre a MÃE PERFEITA e o PAI PERFEITO. Não sobre a criança! Depositamos todas nossas fichas em NÓS mesmos e não no potencial dos nossos pequenos.

Lemos estudos, acompanhamos blogs, compartilhamos a cama, prolongamos a amamentação porque queremos o mérito. "Olhem tudo o que EU sacrifico. Olhem como EU sofro. Percebam como o MEU filho é perfeito por EU fazer tudo isso! E você aí, que não faz metade do que eu faço?"

A realidade é que alguns dos problemas do mau comportamento infantil estão diretamente ligados à nossa indiferença com as verdadeiras carências da criança e nossa interminável necessidade de aprovação.

Não significa que todos que decidem, por exemplo, prolongar a amamentação querem somente o mérito ao em vez de acreditar que essa decisão é melhor para seus filhos, mas o mundo da internet tornou possível fazer esta comparação e isso é um grande desserviço para a infância.

Os resultados?

  • Cuidados focados NOS PAIS e em quem julgamos SER BONS PAIS;
  • Crianças bem comportadas à base de negociações e subornos, completamente sem noção de suas capacidades e habilidades.

Afinal, imagine se alguém perceber que uma criança é imatura e não consegue ouvir um não! O que os outros vão pensar de MIM? O que meu filho vai pensar de MIM?

Lembrando que não estamos generalizando e que cada um sabe de si, mas esse foco nos próprios interesses com a desculpa de que tudo está sendo feito pelos filhos já saturou.

O que julgamos como mau comportamento está associado às necessidades da criança que não foram supridas.

Vamos elencar algumas destas necessidades passando despercebidas:

  • Sono: Sim! Sou repetitiva neste assunto pois precisamos parar de achar que isto não é uma prioridade. Crianças que dormem menos têm dificuldades com suas emoções, demonstram sinais elevados de hiperatividade e impedimentos para solucionar problemas básicos de convivência e de raciocínio.
  • Alimentação: Você é o que você come. Simples assim. Crianças não desenvolvem naturalmente a preferência por bons alimentos, isso vêm de berço. E estudos demonstram que o comportamento está diretamente relacionado a como nossos pequenos comem.
  • Disciplina: Aqui é onde o sapato aperta. Ter disciplina não significa ser castigado e apanhar! Significa governar nosso impulsos e necessidades. Veja bem, se existe uma regra na casa que diz que eu não devo agredir uma pessoa isso implica um certo controle dos meus impulsos. Se eu percebo que estou no meu limite e, mesmo assim, não descanso, estou demonstrando uma dificuldade em controlar minhas necessidades. Governar a si mesmo é a parte MAIS importante para se ter disciplina. Isso não significa que seu filho de 2 anos não se jogará no chão do supermercado, só implica que até os 4 anos de idade ele precisa desenvolver outras formas de comunicação que não envolvem a perda do controle. Como é que se aprende isso? Observando nossos pais. Percebendo que eles também têm limites e respeitam seus defeitos. Que ninguém é perfeito e que as regras a serem seguidas se aplicam a todos.
  • Atenção e dedicação: Isso não significa levar a criança para a Disney ou encher de presentes, mas sim participar da vida dos pequenos de forma ativa! Servindo de exemplo ao respeitar nossos limites, priorizar atividades, gerenciar nosso tempo, pedir desculpas e demonstrar o verdadeiro significado de autocontrole, cuidando de nós mesmos para que eles saibam cuidar deles próprios, amando sem tratar isso como um sentimento de posse e controle: estes são apenas alguns exemplos de como atenção e dedicação mudam quando compreendemos a necessidade da criança de OBSERVAR em nós o que esperamos dela.
  • Ócio: Sim, não ter o que fazer é importantíssimo. Estimular não tem nada a ver com entreter! Lidar com a falta do que fazer é um presente. Estimula a criatividade, aumenta a capacidade da criança de solucionar problemas simples, incentiva a criança a esperar, aumenta produtividade, recupera a habilidade de focar e solidifica a memória. Quer aprendizagens melhores para construir a base de um indivíduo? Uma vez que a base está pronta, então as paredes devem ser levantadas.
  • Imediatismo: O que é mais importante? Fazer a criança parar de chorar naquele momento ou ensinar para ela alternativas para se comunicar e solucionar seus problemas a longo prazo? Um dos marcos mais importantes do desenvolvimento infantil é o do autocontrole. Ele ocorre nos primeiros 4 anos de vida. Então por que a pressa para resolver tudo por eles? Aonde é que o imediatismo vai levar? Condicionar a criança a nunca esperar não fortalece vínculo, só desgasta o cuidador - identificar e suprir as necessidades conforme necessário, sim, faz isso. ISSO NÃO SIGNIFICA DEIXAR CHORAR. Isso significa demonstrar autocontrole suficiente para AJUDAR a criança a navegar novas emoções.

Focar nas necessidades BÁSICAS do indivíduo é o caminho para construir o alicerce necessário para o desenvolvimento, e, GRADUALMENTE, conquistar o "bom comportamento".


E aí, quais crenças limitadoras estão te impedindo de cultivar comportamentos melhores nos seus filhos? Compartilhe suas dúvidas e opiniões - vamos desconstruir juntos essas barreiras!

Até breve,
Mariana Zanotto

Se você acredita que o sono é um dos fatores que está influenciando negativamente o comportamento dos seus pequenos, participe da nossa aula gratuita sobre o noites melhores:


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